ENSINO : Tecnologia sempre?

sexta-feira, julho 07, 2017



Todos sabemos que estamos na era das tecnologias. Todos os dias há alguma novidade, algum produto novo, uma nova consola, um novo telemóvel, um novo computador, tablet, ou algo que alguém se lembre de inventar, até mesmo novos sites e plataformas. Toda a gente já ouviu comentários como "as crianças já nascem a saber mexer nestas coisas", e isso até acaba por ser verdade.

Por tudo isto, torna-se quase concensual que, nos dias que correm, não pode existir aula que não envolva tecnologia. "Não faz sentido", dizem alguns. "No futuro não haverá papel e lápis", dizem outros. Mas será realmente assim?

Quando frequentava o ensino básico, não há muitos anos mas o suficiente para ser antes do boom tecnológico - ainda antes da moda dos telemóveis com teclados qwerty, imagine-se! -, altura em que começaram a aparecer os primeiros computadores portáteis, não só nas escolas como também nas casas das pessoas - agradeço ao projeto e-escolas, que me pemitiu adquirir aquele que foi o meu primeiro portátil... - era uma loucura quando havia uma aula em que o professor aparecia com o "carrinho dos portáteis". Algazarra por todo o lado, toda a gente queria mexer, teclar, tudo em alvoroço porque, afinal, iamos mexer num portátil, essa máquina que raramente era utilizada, quer na escola quer em casa. Mas eram tempos em que não estavamos, ainda, habituados a ter acesso fácil a tecnologia, ou até mesmo internet, com todo o mundo que isso já permitia abrir e que agora o permite ainda mais. Talvez por isso, por essa "falta de hábito", eram aulas em que estavamos mais despertos e entusiasmados.

Mas será assim agora? Agora que qualquer miúdo de 10 anos contacta diariamente com tablets, computadores e até mesmo smartphones, em alguns casos? Será que ainda há entusiasmo? Será que realmente é isso que motiva? Será que se eu der uma aula com algum tipo de tecnologia, não será dar-lhes "mais do mesmo"?

Acredito que, não muito longe dos dias de hoje, será mais fácil incentivar os alunos a pintar com papel e lápis do que a usar algum software num tablet. Acredito que vamos ter o processo contrário, em que temos algazarra se fugirmos da tecnologia, se propusermos um jogo tradicional, como por exemplo o bingo, em vez de usar uma versão computarizada.

A tecnologia existe, sim, e deve se utilizada, e disso não tenho qualquer dúvida. Permite-nos fazer coisas com uma precisão que não conseguiríamos manualmente, cativar a atenção dos alunos e ainda nos pode dar dados sobre respostas dos alunos que, de outra forma, seria mais difícil obter. Mas não podemos deixar-nos melindrar por isso. Não precisamos de tecnologia em todas as aulas. Não precisamos de ocupar todo o tempo letivo com tecnologia. Há tempo para tudo, até para deixar as tecnologias de lado e pegar um papel e numa caneta. Porque saber pegar numa caneta e escrever, também deve ser uma capacidade que todos devem adquirir e manter!

O importante é saber ser professor. É motivar os alunos, diversificar, pensar em estratégias para dinamizar as aulas e deixar tempo para tudo: tecnologia e falta dela. Mas isso, também exige muito trabalho... que todo o bom professor fará, sem dúvida.

Publicação escrita para o projeto de avaliação da UC "Tecnologia Educativa"

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